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riscos_e_rabiscos

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Enganada.

 

Ia eu para a escolinha tão feliz e contente mentira!, fervendo de calor, a saltitar com a malinha na mão em direcção à paragem do autocarro, quando este passa e me ignora totalmente. Coloquei a minha malinha no banco da paragem e sentei-me ao seu lado, muito sugadita com as minhas mãos, de unhas pintadas de rosa, nos joelhos.

 

Finalmente, chega um outro autocarro. Entrei e sentei-me no único lugar existente no autocarro: ao fundo, no meio da putalhada que vinha na escola. Lá gramei com umas pitas histéricas, umas músicas de telemóvel estranhíssimas e vozes esganiçadas de miúdos a caminho de serem homens.

 

Até que olhei para o lado. Iaics! Qué isto? Estou a ver bem? Estavam duas miúdas aos beijos na boca uma com a outra! Mas uma coisa super intensa. Eram daqueles beijos que iam às profundezas do ser, daqueles que dá para fazer um exame completo à garganra e gengivas, daqueles que até fazem lavagens estomacais.

O homenzinho que ia sentado ao meu lado não conseguia afastar os olhos dali. E eu que não sou de ficar com os olhos pregados em "coisas incomuns" de se ver, ainda dei uma ou duas espreitadelas pelo canto do olho.

 

Entretanto mudei de lugar para me sentar à sombra - já tinha a moleirinha esturricada - onde fiquei até chegar à última paragem. Saí sem pressas e foi aí que constatei que afinal...

ela era ele!!!!*

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* fui muita bem enganada!

Alquimias do Desejo

                                 

De uma esperança vã, o teu amor por mim nasceu,

Invadiste o meu coração com o calor da tua alma,

O meu corpo com o teu, numa fusão forjada de paixão

Temperaste a minha boca com os teus beijos salgados,

Deixaste em mim, vazio, frio, e o teu perfume quanto partiste.

Tenho saudades tuas, das palavras que me dizias,

Das frases inacabadas pela cumplicidade

Da tua gargalhada nos momentos mais felizes

 

O meu coração por ti grita, numa ânsia de reencontro,

Como se uma parte de mim se tivesse evadido…….

Lágrimas banharam os meus olhos, beijaram o meu rosto,

Percorreram toda a minha pele, ficaram com o meu cheiro, calor, desejo, vontade de te ter…

Uma a uma formaram, uma corrente apenas para te trazer até mim, meu amor perdido.

E assim jamais voltar a chorar, a tristeza de estares longe!

 

Desejos Sonhados

    Beija-me as mãos, Amor,
    devagarinho…
    Como se os dois
    nascêssemos irmãos,
    Aves cantando, ao sol,
    No mesmo ninho…
 
    Beija-mas bem!...
    Que fantasia louca
    Guardar assim, fechados,
    nestas mãos,
    Os beijos que sonhei
    Prá minha boca!...
 
 
                             In “Amiga”, Florbela Espanca